7.3.09

Prêmios Rubens Mazza e Chuchu de Ouro


Interrompo a programação do blog para anunciar os vencedores dos prêmios Rubens Mazza e Chuchu de Ouro, do 9º Putz:


PRÊMIO RUBENS MAZZA

Melhor Filme Trash: Velinhas Assassinas
Melhor Filme: As vinhetas que anunciavam as categorias
Melhor Direção: Dama de Copas
Melhor Ator: Phillipe Trindade
Melhor Atriz: Luiza Bonin (no filme das vinhetas)
Melhor Ator Coadjuvante: Sandoval Poletto
Melhor Atriz Coadjuvante: Delma Maskow (por Velhinas Assassinas)
Melhor Ator Inútil: Pianista de Barulho
Melhor Cena: Risada do Mário e “massa morrendo” (Velhinhas Assassinas)
Melhor Trilha Sonora: Dama de Copas
Melhor Roteiro: Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além
Melhor Fotografia: A Linha
Melhor Edição: Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além
Prêmio Originalidade: Piada “Que Mário?” em Jungle Journal


PRÊMIO CHUCHU DE OURO

Pior Filme: Barulho
Pior Direção: Barulho
Pior Ator: Tiago Cegatta (por Swarovski)
Pior Atriz: Vanessa Liebel (por Swarovski)
Pior Clichê: Personagens calçando chinelo e se olhando no espelho.
Pior Edição de Som: Ensaio sobre a lucidez
Pior Roteiro: Making off


Leiam os contos abaixo e comentem.

15.2.09

10:10


Olha o relógio. 10:10. Flashes de luz rodopiam, embriagam. Cogumelos. Tontura... turva o real, se multiplica, enchem a cabeça, dilaceram-no os pensamentos e o sentimento. Eufórico, sua frio, treme as mãos, respira ofegante. Falta a luz, sufoca-lhe o ar, voam as idéias. Se decompõem, perecem no ar assim que lhe roubam a vida. Iminente fracasso. “Por que o abandonastes?” As luzes o confundem, inebriam o real e o imaginário, passado e presente numa só imagem. Olha o relógio. 10:10.


Imagem de autoria desconhecida.

10.2.09

Aqueles velhinhos

para os avozinhos...

Aquele jeito de gente do interior, de patriarcas de família grande, de velhinhos que a gente quer como avós da gente. Aquelas noites todas em torno da mesa jogando baralho. E o avô grita truco, e a avó ri contida e no ambiente aquele clima feliz. Dia após dias, aqueles quitutes e doces que a senhorinha prepara com esmero. E a avó diz podem comer tudo e o avô passa o dedo nas travessas de doces já vazias. Aquela casa, grande, esperando os filhos e netos e a avó se alegra ao vê-los juntos e o avô toca sua gaita em música de festa. Aqueles dois velhinhos ele adotou como os seus avós.


Imagem de autoria desconhecida.

30.1.09

Feliz aniversário


Em redor do bolo, já não gritavam como crianças ensandecidas, nem aguardavam afoito a cantiga findar. Também não se agitavam todos querendo assoprar as velas. Mas guardavam nos olhos a docilidade pueril, a alegria de mais uma festa. Ela, aniversariante, como habitual, recolhia um ligeiro embaraço de ser o centro das atenções naquela noite. Porém era a sua noite, como também foi seu o dia todo. Dia em que os abraços trocados traziam a acolhida cálida, em os beijos molhados em seu rosto tinham o sabor da infância cúmplice, em que a pose para a foto lembrava irmãos de chapéu de festa e língua de sogra. E assim o dia todo teve cheiro e a aura de feliz aniversário.

Imagem de pecadodagula.com

26.1.09

O terceiro ato


Ao entrar no palco para o terceiro ato, sentiu que ali seria o seu momento máximo da carreira. Envolto pelo cenário cru, uma e outra mobília esparsa, deixou-se invadir pelo personagem de maneira impossível de distingui-lo do ator. Que ele também percebeu. E havia a luz azul em penumbra, provocada pela iluminação: o clima certo para o monólogo. Deixou-se levar pelo ambiente, caminhou pelo palco insinuando sua interpretação. Fez movimentos pausados, gesticulou em dúvida, mas não lhe vinha a fala.
A platéia, quieta. Também se deixando absorver pelo ator em personagem. Porém em alguns abatia um incômodo, um sentimento de dor, de impaciência.
Do palco, encarou a platéia, fitando cada rosto compenetrado em suas ações. E começou a chorar, não porque tinha a impressão de que esquecera o texto, mas porque lhe era doloroso viver aquele personagem, era dum sofrimento pesaroso ser aquele personagem. Chorava compulsivo, chorava nervoso.
Era doloroso para o público permanecer, os primeiros já levantavam, claramente exaltados e perturbados, e saiam tentando, às vezes em vão, conter as lágrimas. Os que ficaram desviavam o olhar, tentavam procurar nalgum canto do teatro um escape à tangente, mas aquela penumbra azulada os envolvia e os petrificava. Não mais puderam resistir, pouco a pouco, retiraram-se. Ele permaneceu no palco e sequer notou que a platéia esvaziara. O terceiro ato era apenas ele, ator-personagem de sua tragicomédia.


Imagem de autoria desconhecida.

16.1.09

O começo


Arrumou as malas e partiu. Feliz, porque agora sabia o destino. Feliz, porque vislumbrou um caminho. Feliz, porque enclausurou o ontem no mausoléu do passado. Feliz, porque a sua frente se abria um mundo mágico. Feliz, porque esse mundo mágico lhe trazia aconchego e conforto. Feliz porque suas dores já não doíam mais e toda a mágoa tornou-se uma cicatriz imperceptível. Feliz, porque a cada passo se reencontrava e ousava saber de novo quem era. Feliz, porque era criança e tinha o mundo mágico para desvendar e gostosuras para descobrir. Feliz porque agora tudo era novo e um começo. Feliz, porque sabia, de certeza, que estava mais uma vez sempre começando.



Imagem de autoria desconhecida.

12.1.09

Histórias


Se para ela, ele era uma página virada; para ele, ela tornou-se um livro fechado.


Imagem: Photoschau.