18.10.08

Cause all the stars are fading away


After the crash, I slept for a week or even more – maybe a month I guess. When I woke up, I was tired and lightheaded. My car was almost completely destroyed, and I couldn’t see any bit of life around me.
I walked a lonely road; my shadow was the only one that walked beside me. I walked for miles and miles and hours and hours. Sometimes, I wished some out there would find me. There was none.
At the end of the night, I arrived in a town, a small town. And in the streets the children screamed, the lovers cried, and the poets dreamed. I saw a baby was sleeping so scared to be alone. And I saw a girl who sang the blues. I knew, if she had wings she would fly away, and another day God would give her some. She’s got a smile that seemed to me a kind of hope.
I tried to talk to her, but she ran away. I tried to talk to the children, lovers and poets, but they ran away. Everyone ran away, except the little fish, and he told me I should ask myself why.
The little fish told me to make my way back home and learn to fly. He also told me that men dreams one day to fly. And I had just one chance, one way ticket to the times I had before. I should learn to fly to pursuit my dreams
And I took a rocket ship into the skies, to live on a star dying in the night.


Image: Square, of Bob Kupbens.

5.10.08

O vodu


Tentava entender o que sentia, mas perdia-se na profusão de sentimentos dentro de si. Lhe tinha amor, mas sentia algo diferente disso, embora quisesse justificar que o que sentia era de fato amor. E com aquele boneco nas mãos, lembrando ele, com um fiapo de sua roupa e um cacho de seus cabelos, ela espetava agulhas vermelhas. Ela sabia, dalguma forma, a dor que ele sentia e as vezes que tropeçou a cada espetada. Mas a última espetada, a que deu no peito do vodu, doeu forte em seu coração.


Imagem de autoria desconhecida.

27.9.08

Céu azul


Alçou vôo e sentiu-se leve por demais, capaz de ganhar os sete céus, sentiu-se livre das pequenezas humanas e das mazelas que lhe assaltavam as madrugadas. Alçou vôo e impulsionou-se livre, feliz por ganhar um mundo tão desejado seu; e percorreu o céu bailando pelo espaço, rodopiando feito folha ao vento e deixando-se levar na vastidão do azul. Alçou vôo e sentiu sua alma desprender-se de seu corpo; era sua a liberdade e a vida em essência, era-lhe seu tudo o que buscara dantes. Alçou vôo e não escutou segundos antes a freada e a buzina, como também não sentiu o impacto. Enquanto as pessoas corriam para socorrê-lo em vão, ele alçava vôo a viver a vida.


Imagem retirada de Getty Images.

22.9.08

Florzinha no cabelo


Rodopiante, alegre... a passos cadenciados ela vem e passa no doce balanço do amar. Tímida, recolhida em si, mas capaz de despertar vida. Bela donzela dos olhos doces, meigos, que enfeitiça... Que me dera segui-la, me deixar levar por ela, guiado apenas pela florzinha rosa em seu cabelo.


Imagem de Vanessa Lima.

14.9.08

Tão pó, tão só


Tudo o que tinha guardava numa pequena lata de alumínio; coisas que eram sua vida, cada qual com seu significo, mas miudezas, pequenas lembranças e experiências, porém que lhe fizeram ser o que é.
E para onde ia, carregava a lata, que por causa das estampas, parecia uma casa, porta e janelas nas laterais, a tampa desenha de telhas de barro. Vez por outra abria a lata e remexia suas coisas, com olhar saudoso, e fechava. Certeza daquilo que era sólido e certo.
Numa dessas aventuras lata adentro, tão logo a destampou, começou a ventar, dum vento forte, vigoroso, que aumentava. Na dúvida se fechava ou dali corria, colocou a mão sobre seus pertences para impedir que o vento os tomasse consigo, mas o vento era forte demais e venceu a resistência; varreu dali não só as coisas mais leves como despedaçou tudo o que estava protegido.
Levou-os longe, espalhando-os pelos cantos e curvas ermas e ele sequer pode agarrar entre os dedos um mínimo pedaço de si. Sem sua latinha, sem nada, sem aquilo que lhe fazia ser o que era, tudo pareceu tão pó, tão só.


Imagem de autoria desconhecida.

2.9.08

A musa e o poeta


Às vezes falha-me a pena, acomete-me a estranha sensação de sentar ante a folha em branco e sentir as palavras impulsionarem sem levantar vôo. Como também falha-me a coragem, a capacidade de me entregar aos prazeres do mundo, de dizer as palavras singelas a ela; um medo pueril, uma dúvida acanhada e malévola, uma incapacidade de deixar minh’alma falar. Procurei as respostas certas às minhas perguntas errada, até que me dei conta de que a todo poeta inspira-lhe uma musa.
Saí pelo mundo à procura da minha, numa viagem tresloucada, feito um desvairado a caçar nos olhos de cada mulher a inspiração para minha arte. Tateei no escuro, embrenhei-me por becos e caminhos nunca dantes pisados, no entanto minha musa parecia mais bem escondida do que imaginava. Desenhava-a linda, capaz de preencher meu vazio, de acalentar minhas madrugadas insossas, de alumiar meu pequenino coração.
Ao vê-la perguntei-me: serão os poetas cegos? Minha musa estava ao meu lado, linda como a pintei: de cabelos negros, longos e luzidios, dum mesmo brilho cálido em seus olhos puxados, e pele morena do sol. Minha musa pegou minha alma e me levou pela noite de lua cheia, fulminou certeiro meu coração: fiquei estatelado, hipnotizado feito estátua de pedra. Minha musa me beijou, um beijo carinhoso... gostoso – fiquei querendo mais. Minha musa me inspirou, mas sou mau poeta: não verso, proseio.


Imagem retirada de DecksittersPhotoBlog.

29.8.08

De olhos bem abertos


Hoje dormi sozinho. Hoje dormi, sozinho, como ontem dormi sozinho. E antes de ontem também dormi, sozinho. Acordei todos esses dias e você não estava do meu lado, havia apenas teu cheiro no meu lençol, uma vaga lembrança da tua passada presença.
Dói, sabe disso? dói muito, porque você se foi assim de abrupto como que de mansinho, e levou toda minha vida amarrotada em sua mala.
E todos os dias em que me levanto sozinho, depois de dormir sem você ao meu lado e quando a dor dói mais doída (ou doida?) eu digo para mim mesmo, batendo na minha própria cara: não pense... não pense... apenas esqueça... e volte a dormir, mesmo que de olhos bem abertos.


Imagem de autoria desconhecida.